sexta-feira, 30 de abril de 2010

O doce e o amargo, indistintamente

Sexta feira...
Uma linda manhã gelada.


Sempre penso que nasci na época errada.
Como podem certas músicas consideradas "ultrapassadas" caberem tão alinhadas no nosso cotidiano? Ao meu cotidiano. Talvez eu realmente esteja passando pela Terra no momento errado. Cheguei tarde.
Talvez isso siga como mais uma reflexão, ou uma memória descabível.

Lembro apenas que o passado nos alimenta. Não somos nada mais que frutos do passado.

Deixo hoje palavras do 'mestre' Ney Matogrosso... Acordei pensando nessa canção.

Reflexões para um novo dia.



O doce e o amargo - Secos e Molhados

"O sol que veste o dia
O dia de vermelho
O homem de preguiça
O verde de poeira
Seca os rios os sonhos
Seca o corpo a sede na indolência
Beber o suco de muitas frutas
O doce e o amargo
Indistintamente
Beber o possível
Sugar o seio
Da impossibilidade
Até que brote o sangue
Até que suja a alma
Dessa terra morta
Desse povo triste
"


Por MARIA, L.P.

terça-feira, 27 de abril de 2010

O cortiço, séc XXI




Gostaria de dividir esse texto, que recebi e achei muito interessante sobre a nossa realidade social.

O cortiço - David Coimbra, coluna em ZH


"Ao caminhar por entre as artérias do Monumento ao Holocausto, no coração de Berlim, a cada passo aumentava minha admiração pelos alemães. Ali estava um povo que não se esquivava de suas culpas. Ao contrário, as purgava em público e em voz alta.

Os mesmos passos me faziam pensar nos brasileiros. Nós aqui, ao que parece, não nos aflige culpa alguma. Do que o brasileiro se envergonha, afora a derrota na Copa de 50? Pois é. Mas nós temos do que nos envergonhar. Temos também o nosso nazismo. O nosso holocausto.
Chama-se escravidão.
O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão, mas nem ao aboli-la lavou-se de sua desonra. Agora mesmo, no Rio de Janeiro flagelado, lateja essa dor. Pois quem são esses que morrem sufocados pela terra que se desprende dos morros cariocas? Descendentes de escravos e ex-escravos expulsos do Centro quando o Rio se transformou no que hoje é.
Você leu O Cortiço, de Aluísio Azevedo? Bom livro. Não devia ser obrigatório nas escolas, devia ser tratado como romance para iniciados. O Cortiço conta a história de um imigrante português que, como se dizia então, “amasiou-se” com uma escrava para somar suas economias às dela. Juntos, os dois e seus dinheiros, melhoraram a bodega dele e investiram em quartos de aluguel. Montaram um cortiço aos moldes de tantos que havia no Rio do século 19, o mais célebre deles chamado Cabeça de Porco, de propriedade do Conde D’Eu, ilustre marido da Princesa Isabel. O que não deixa de ser irônico – entre os 4 mil moradores do cortiço do marido, havia inúmeros ex-escravos libertados pela esposa.
Essa gente não teve mais onde morar a partir do começo do século 20, quando a prefeitura do Rio botou abaixo os cortiços. O prefeito Pereira Passos, inspirado nas reformas feitas em Paris décadas antes, rasgou avenidas, abriu largos arejados, mudou a face da cidade. Os moradores dos cortiços, muitos deles, foram para a zona norte. Outros, que precisavam morar perto do Centro, onde trabalhavam para os senhores brancos e bem alimentados, esses ficaram por perto: subiram os morros do entorno, construíram casebres com as sobras das demolições protagonizadas por Pereira Passos, formaram as favelas como as conhecemos.
Essa gente pingente das favelas não foi libertada da escravidão; foi atirada à liberdade. Para eles, nunca houve planejamento, muito menos investimento. Hoje, Lula dá certa atenção a esses desgraçados. Não é o ideal, claro que não. Porque não é uma ajuda estratégica; é uma ajuda tática. Mas, ao menos, é algo. Para quem não tinha nada, talvez seja muito. Por isso, Lula foi amassado pela vaia do Maracanã, na abertura do Pan em 2007. Vaiaram-lhe os brancos e bem alimentados, os moradores da planície, que olham para o alto, para o morro, com medo.
Hoje, os brancos e bem alimentados da planície olham de novo para o morro. Aquela gente parda, aquela gente que passa os dias de bermuda e sem camisa, que mora em barracos construídos com pedaços de qualquer coisa, aquela gente teima em chamar a atenção. Às vezes roubando, às vezes matando e às vezes, como agora, morrendo. Inconvenientes, é o que são. Vivem a nos lembrar que em nós, também, pode haver culpa."



Para pensar...
Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Cai a chuva na cidade...




"Cai a chuva na cidade, vindo de lugar nenhum
e um dia vai embora indo pra lugar algum..."



Segunda feira chuvosa, em seqüência de um final de semana úmido, nublado e imprestável, faz imaginar a semana que nos espera. Quando as coisas começam estranhas, a gente já imagina a seqüência.
É, essa vai ser uma semana boa! Dias frios, roupas molhadas, cheiro de cachorro molhado, cabelo arrepiado, horas que não passam e que a gente não consegue render em nada.

Mas não há de ser nada.

Cheguei hoje no trabalho com preguiça (como todos os dias), mas li uma frase no twitter que me inspirou, dizia:

"Mesmo que o tempo esteja cinza, o sol brilha por cima das nuvens! Bom dia!"


É. Faz sentido.
Seja como for, o sol ainda brilha por cima das núvens.
Então, não há por que se preocupar...

Não há por que se preocupar!



"Triste é quando chove dentro dos nossos corações!"


A todos, uma linda e ensolada semana. Mesmo que o sol esteja apenas atrás das nuvens, ele ilumina a cada um de nós!

Por MARIA, L.P.

domingo, 25 de abril de 2010

Sobre um chão de giz...






"Eu desço dessa solidão e espalho coisas sobre um chão de giz...."

Hoje acordei bem, feliz.
Tive uma noite sossegada, um sono suave, a cama quente. Acordei tarde, cevei um mate, almocei com a família. Programação morna, mas aconchegante. Demais!

Li o jornal e vi as coisas horríveis que estavam acontecendo lá fora. Mas na hora do mate, isso não importa, nada importa. Hora do mate é a hora so sossego. Em um sábado frio, úmido e nublado, em casa, matear com a família pode parecer sem graça, mas como isso me faz bem. Não sou, nunca fui muito caseira... mas valorizo muito aqueles momentos únicos e simples. Coisas simples da vida.

Penso que é isso que faz a vida gostosa. As coisas simples.

Coisas simples fazem a vida bonita!
Um mate.
Um abraço forte.
Uma risada gostosa.
Um carinho.
Um telefonema.
Uma carta.
Um bilhete.
Uma palavra doce.
Um suspiro.
Uma canção.
Um verso.
Um acorde.
Um reencontro.
Uma saudade.
Uma lembrança.


Talvez eu valorize essas coisas bobas, por ser uma romântica por natureza... por prestar atenção em pequenas coisas, por estar desatenta ao restante do universo. Talvez ainda porque penso que é isso que fica das pessoas em nós, pequenos sinais. Sinais estes que significam muito, significam tudo aquilo que todas as palavras aqui escritas não conseguem expressar.

São essas as pequenas coisas que em mim ficaram, daqueles que partiram, daqueles que tomaram rumos diferentes dos meus, daqueles que estão geograficamente perto, mas imensamente distantes. São pequenas coisas que me fazem adormecer todas as noites com a certeza de que valeu a pena viver cada dia.

São pequenas coisas que me motivam a levantar da cama todas as manhãs e enfrentar a vida.

São pequenas coisas que fazem valer a pena ter fé na vida.

O tempo passa. As pessoas passam. A vida passa.

Ficam apenas as pequenas coisas, pelas quais vale a pena viver.


"No mais, estou indo embora..."


Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

De volta a vida!





Blog.
Isso ainda existe?!


Querido e adoráveis leitores, estou retomando esse blog.

Parei de escrever pois havia escrito coisas das quais por muito tempo estive evitando pensar. Retomo agora, pois lembranças e memórias fazem parte do nosso ser e, não podem simplesmente serem deletadas. Sim, as vezes fazemos questão de que algumas pessoas simplesmente suma dos nossos pensamentos, mas, nós gostando ou não, até as piores experiências fazem parte do nosso amadurecimento.

Somos o resultado das nossas experiências.

Gostaria de dizer que desde a minha última postagem eu tenha passado por somente experiências formidáveis. Mas não foi exatamente assim. Mas penso que tudo isso tenha sido importante para que eu pudesse voltar a escrever assim, publicamente.

Hoje, estou bem. Estou muito bem! Como há tempos não me sentia.
Finalmente, tenho o emprego que eu sempre quis.
Minha família está bem.
A faculdade, apesar do correrio e do stress diário, vai muito bem.
A formatura será breve.
Meus amigos, os bons de verdade, estão próximos.
Estou bem resolvida, muito bem obrigada.
A plenitude enfeita a minha alma.


É muito bom ter coisas boas a dizer às pessoas. Nada me falta. As coisas vão apenas brotando, naturalmente.

Não estou dizendo que não preciso de mais nada, mas que estou no caminho das minhas conquistas. Ainda tenho muito há andar, mas sei qual é o caminho e, sobretudo, sei pra onde estou indo!




Farei o possível pra manter o blog atualizado...

Obrigada a todos que não me esqueceram, enquanto o blog estava desativado.

Estou aqui de volta (e daqui ninguém me tira. Ninguém!)


Por Maria, L.P.