quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Minhas revoltas, as quais espero que não sejam só minhas

Meu sentimento de revolta é imensurável e, incontáveis são os fatores que me causam esta revolta.
Na quarta feira (dia 22 de dezembro) a noitinha, meu pai e minha mãe se acidentaram de moto. Me revoltou o fato de ter feito diversas correrias, meu irmão e eu ao saber do ocorrido, e ainda assim chegamos ao local do acidente antes da ambulância que prestaria socorro. Me revoltou o fato de o meu irmão ter de ajudar a colocar minha mãe na maca, pois não havia médico socorrista, apenas o técnico em enfermagem e o motorista. Me revoltou o fato de ouvir o técnico dizer a minha mãe que reclamasse com o Tarcísio, pelos buracos nas rua, pelos quais a ambulância passava e a faziam gemer de dor, devido a várias costelas quebradas em razão do acidente.
Me revolta e me envergonha o fato de ter tido a oportunidade de passar a noite com a minha mãe na emergência do Hospital Municipal, devido ao fato da mesma não estar abarrotada, como de costume. Me envergonha o fato de ter mentido para os porteiros, para pode entrar e esperar a minha mãe sair do bloco cirúrgico.
Me revolta o fato de ver a minha mãe dividir um quarto de 2x4m com mais duas pacientes. Entretanto, uma ganhou alta na véspera de Natal, e outra entrou no seu lugar a noite, surtando desde então. Me envergonha ter de fazer um escândalo naquele hospital, e assim conseguir a remoção de quarto para que a minha mãe pudesse ter um pouco de sossego para se recuperar. Me envergonha ter conseguido um colchão ortopédico e confortável para a minha mãe, por conhecer “alguém” no hospital. Foi nesta noite que eu entendi aquelas pessoas que tanto eu criticava, que pagam para furar a fila de um atendimento no serviço público. Mas me envergonha ainda mais cogitar passar por cima da minha própria ética para ver a minha mãe receber um atendimento, no mínimo, de qualidade. Sem dúvidas, eu venderia a minha alma para ver ela bem e se recuperando com dignidade. Mas isso sim, me envergonha, pois não deveria ser assim.
Me revolta e me envergonha pagar um convênio de saúde privada, e não poder fazer o mesmo para minha mãe. Mas o pior, que o direito a saúde é garantido pela constituição... deveria, ao menos. Bom, agora felicidade também é direito garantido pela constituição: logo, posso processar o Estado por não ter esse direito devidamente assistido, não é mesmo?!
Esses últimos dias, não foram fáceis, muito pelo contrário, me sinto frágil e impotente. Me revolta estar impotente, e me envergonha viver em meio essa realidade.
Me revolta ter de escrever para mostrar esse meu sentimento, e me envergonha a ser a única a me manifestar.
Não me interessa comover ninguém, mas rezo a Deus que alguém faça alguma coisa, nem que seja escancarar a sua revolta, como eu.
Caríssimos políticos, hipócritas representantes da nossa sociedade que aumentaram os seus próprios salários. Saibam que eu não vou esquecer disso. Não mesmo.

Por MARIA,L.P.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Não acreditem no impossível!

Quando ouvi essas palavras, uma pontinha de esperança tomou o meu ser.
Alguém acredita na nossa geração, mesmo que nós mesmo tenhamos dúvidas do nosso potencial.


Estou pedindo a vocês: pensem grande, não pensem pequeno.
Não acreditem no impossível: o impossível torna-se possível se você quiser.
É preciso coragem, é preciso tenacidade, é preciso força, e é preciso não esconder a realidade, não ter medo dela


Plínio de Arruda Sampaio




Pensem nisso!
Podemos ser e fazer aquilo que sonhamos... Podemos contruir muito mais do que aquilo que nos dizem por ai.
A nossa geração pode mais, basta querer!



Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Direito de ser igual/direito de ser diferente

"Temos o direito de ser iguais sempre que a diferença nos inferioriza.
Temos o direito de ser diferentes semore que a igualdade nos descaracteriza."

Boaventura de Souza Santos


Hey, praqueles que vivem dizendo que todo mundo é igual: fica a dica!!

Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Repensado o meu ser cristão - Um cristianismo novo para um mundo novo

Li esse texto hoje pela manhã, e achei fantástico. Foi escrito por um bispo da Igreja Episcopal, que traz a idéia de que é necessária uma reforma teológica para a igreja moderna.
Achei fascinante o fato que ele descorda e descarta verdades absolutas e infudadas, mas de forma alguma duvida da fé do sujeito - pelo contrário - ainda assim ele afirma e luta pela sua fé.
Tenho um ponto de vista muito parecido com o do autor, visto que eu também acho a minha igreja ultrapassada e conservadora de uma tradição inventada, hipócrita, machista e racista. Mas acredito, sobretudo, que o abandono da fé não ajuda em nada. Penso que é preciso mudar, mas sem abandonar aquilo em que acreditamos.
Destaquei os trechos mais interessantes, pois o texto é um pouco longo para postagem. Segue!



Um cristianismo novo, para um mundo novoLeia o texto integral no site do IHU


"Eu não acredito que as mulheres são menos humanas ou menos santas do que os homens e, por isso, não consigo me imaginar como parte de uma Igreja que discrimine as mulheres de qualquer forma ou até sugira que uma mulher é inapta a qualquer vocação que a Igreja geralmente oferece ao seu povo, do papado ao mais humilde papel de serviço. Eu considero a tradicional exclusão eclesiástica das mulheres das posições de liderança não como uma tradição sagrada, mas sim como uma manifestação do pecado do patriarcado.

Eu não acredito que as pessoas homossexuais são anormais, mentalmente doentes ou moralmente depravadas. Além disso, considero todo texto sagrado que afirme o contrário como errado e mal informado. Os meus estudos me levaram à conclusão de que a sexualidade como tal, incluindo todas as orientações sexuais, é moralmente neutra e pode ser vivida tanto positiva quanto negativamente. Eu considero que o espectro da experiência sexual humana é verdadeiramente amplo. Nesse espectro, um certo percentual da população humana é, em todas as épocas, orientado a pessoas do seu próprio gênero. Esse é simplesmente o modo como a vida é. Eu não posso me imaginar como parte de uma Igreja que discrimine gays ou lésbicas com base em seu "ser". Nem quero continuar participando de práticas eclesiais que eu considero baseadas em nada mais do que preconceito e ignorância.

Eu não acredito que a pigmentação da pele ou a origem étnica constituam uma questão de superioridade ou de inferioridade e considero toda tradição ou sistema social, incluindo qualquer parte da Igreja cristã que age sobre esse pressuposto, indignos de continuar a viver. Os preconceitos dos seres humanos baseados na raça ou na eticidade são, para mim, nada mais do que uma manifestação de um passado tribal. São preconceitos negativos que os seres humanos desenvolveram em sua luta pela sobrevivência.

(...)

Eu busco a experiência de Deus que acredito está por trás das explicações bíblicas e teológicas que, através dos tempos, tentaram interpretar Jesus.

(...)

Porém, certamente chegou o momento em que todos nós devemos ir além da desconstrução desses símbolos inadequados e rejeitáveis, que historicamente foram tão significativos na vida da Igreja cristã,e voltar a nossa atenção à tarefa de delinear uma visão daquilo que a Igreja pode e deve ser no futuro.

(...)

Não estou interessado, por exemplo, em confrontar-me ou desafiar aqueles elementos do cristianismo conservadores ou fundamentalistas que são tão predominantes hoje. Acredito que morrerão por causa da sua própria irrelevância, sem nenhuma ajuda de minha parte. Eles legaram a sua compreensão do cristianismo a disposições do passado que estão simplesmente envelhecendo.

(...)

Eu não procuro me dirigir a esses crentes conservadores, que considero fora da realidade. Eu não quero convertê-los, discutir com eles ou mesmo só procurar contestá-los, a menos que ameacem se tornar voz de uma maioria que busque impôr o seu próprio programa ao nosso mundo. Eu acredito que a difusão do conhecimento irá tornar definitivamente irrelevantes as seus posturas no debate sobre o futuro do cristianismo.

(...)

Permitam-me, porém, declarar desde o começo tanto o meu desejo consciente quanto a minha convicção. Estou procurando reformar e repensar algo que amo. Não tenho a intenção de criar uma nova religião. Eu sou um cristão e descerei ao túmulo como membro dessa família de fé. Eu penso que todas as tentativas de construir novas religiões inevitavelmente se destinam a fracassar desde o início. Nenhuma religião, incluindo o cristianismo, jamais começou a sua existência como algo de novo. Os sistemas religiosos representam sempre um processo evolutivo. O cristianismo, por exemplo, floresceu do judaísmo, que, por sua vez, havia sido em parte moldado pelos cultos do Egito, de Canaã, da Babilônia e da Pérsia. A marcha do cristianismo rumo ao predomínio no mundo ocidental foi marcada pela incorporação de elementos dos deuses do Olimpo, do mitraísmo e de outros cultos misteriosos do Mediterrâneo.

(...)

...que os fiéis ou os críticos de amanhã decidam se o cristianismo que sobreviverá a este século XXI ainda estará ou não em ligação com o cristianismo que irrompeu na cena da Judeia no século I e dali se moveu para conquistar o Império Romano no século IV, dominar a civilização ocidental no século XIII, sofrer a restauração pela Reforma no século XVI, seguir a bandeira da expansão colonial europeia no século XIX e se encontrar drasticamente com o século XX.

(...)

Eu permanecerei radicado na minha convicção de que a palavra de Deus representa e significa algo real."


Fonte: "Un cristianesimo nuovo per un mondo nuovo. Perché muore la fede tradizionale e come ne nasce una nuova" de John Shelby Spong




Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

São quatro anos...

Hoje, comemoramos quatro anos.

Quatro anos de formatura no Curso Normal. Quatro anos de Magistério.


Alucinação, de Belchior - em homenagem a todas as professoras (e professor) formados na turma 401/2006 em 08 de dezembro de 2006, do Colégio Santa Catarina/NH.
Agora, a pergunta é 'por que alucinação?'.
Simples, essa foi a nossa escolha, quando juramos trabalhar, lutar e defender a educação.



video



Amar e mudar as coisas, me interessa mais!


Por MARIA,L.P.

Loucura, um elogio

Minhas insanidades, por vezes, parecem não mais caber em mim.

Enlouqueço a cada dia que passa - ou pior, a loucura se afasta de mim, abrindo um profundo e lamentável espaço triste para a realidade.

Odeio a realidade.
O mundo real é chato, triste e feio. O mundo real entorpece e aliena.

Suplico... se alguém estiver ouvindo este lamento, que permita que eu permaneça na minha doce loucura.



A loucura é o que há de melhor em mim.
A loucura é o que há de melhor em todos nós.




A loucura, definitivamente, é o que há de melhor!

Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Liberdade

"Liberdade: Diz Durito que a liberdade é como o amanhecer. Alguns o esperam dormindo, mas outros acordam e caminha durante a noite para alcançá-lo. Eu digo que nós, zapatistas, somos viciados em insônia e deixamos a História desesperada."

México, 18 de Maio de 1996 - À sociedade civil onde quer que se encontre.

EZLN - Ezército Zapatista da Libertação Nacional


Por MARIA,L.P.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Migalhas

Migalhas.
Não vou aceitar.

Quero o máximo, o melhor em excesso!
E nada menos que isso.


Sabe como é... tudo é uma questão de tempo.
E não há o que uma tarde ensolarada em dia de pagamento não possa ser resolvido.

Por MARIA,L.P. (by Maninho)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Considerações

As vezes é tão complexo compreender o que se passa dentro de nós mesmos.

Considerando isso, é imporvável compreender o que se passa com o outro.

Sintetizar o que se passa entre as pessoas é extremamante subjetivo.



Levando em consideração estes fatores - e tantos outros - o ser humano é um ser sem explicação.


Por MARIA,L.P.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Salve esse Brasil, Zumbi!

“Ei Zumbi, Zumbi ganga meu rei, você não morreu, você está em mim.
Ei Zumbi, os novos quilombos com seus quilombolas lutam pra resistir.
Ei Zumbi, seu sangue semeou coragem em nossa gente que luta com fervor.
Ei Zumbi, nossa terra é fértil, outros como você também tombaram o chão.
E muitos tombarão enquanto houver a luta pela libertação...”


Zumbi dos Palmares


Se Zumbi
Guerreiro-guardião
Da Senzala Brasil
Pedisse a coroação
E por direito o cetro do quilombo
Que deixou por aqui
Nossa bandeira era
Ordem, progresso e perdão

É Zumbi
Babá dessa nação
Orixá nacional
Orfeu da Casa Real
Do carnaval do negro
Quilombola da escola daqui
O mestre-sala Zambi
Na libertação

Parece que eu sou
Zumbi dos Palmares quando sambo
O príncipe herdeiro
Dos quilombos do Brasil
Sou eu, sou eu, Soweto
Livre, Mandela é Zumbi
Que se revive
Exemplo pro céu
De outros países como o meu
Sou eu orgulho de Zumbi

Que vem de Angola e de Luanda
Salve essa nação de Aruanda
Salve a mesa posta de umbanda
Salve esse Brasil-Zumbi






Consciência Negra - Dia de Zumbi.


Zumbi somos nós!


Por MARIA,L.P.

A culpa é da pós modernidade

É tudo culpa da pós modernidade.


Acuso também o neoliberalismo, o positivismo e a burocracia.


A culpa jamais é das pessoas, mas das cirscustâncias.



Por MARIA,L.P.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O vento

"Assovia o vento dentro de mim. Estou despido.
Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas.
Sou minha cara contra o vento, a contra-vento.
Eu sou o vento que bate na minha cara."

Galeano

Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A solução é alugar o Brasil!

O meu "viva" vai para o Raul.

Então, a primeira mulher na presidência.

Pra mim, isso não significa absolutamente nada, neste momento.
Tivemos uma primeira governadora mulher - a Yeda - e todos sabemos no que deu.
Estou consideravelmente frustrada, sobretudo por ter ajudado a eleger a Dilma. Me senti uma perfeita idiota, mas considerando o opositor - Serra - a Dilma é a opção menos pior, ao meu ver.

Esse breve post não é nenhuma manifestação pró ou contra qualquer coisa, é um desabafo de eleitora frustrada. Torço para que, como ouvi, ela seja realmente a melhor opção, e não a menos pior, como tenho visto.

Minhas atuais experiências políticas estão sem sucesso, pois os que venho apostando não tem muitas chances frente as massas. Mas precisamos lutar por aquilo que acreditamos.

E por incrivel que pareça, eu ainda acredito nas pessoas.
Não nas ideologias, não nos partidos e instituições.
Mas tenho fé nas pessoas.
Não somos nada, sem fé em alguma coisa.
De agora em diante, o futuro do nosso país fica na mão de Deus, se ele ainda estiver disposto a olhar por nós.

Por MARIA,L.P.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Construção

Depois de alguns dias ouvindo essa canção na estrada, ficom com as palavras do poeta...

Construção - Chico Buarque


Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

(...)
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Não estar, mas permanecer sendo o que se é

Andava divangando com um amigo sobre a morte.
Falar sobre a morte com um filósofo, é muito doido!

A quando falo sobre (im)previsões, a morte não se inclui neste conceito. A morte - por mais irônico que isso possa soar - é a coisa mais certa da vida.
A morte é uma ausência, presente.
Morte é não estar, mas permanecer sendo o que se é. É mais uma passagem. É um sentir sem tocar.
A morte, talvez não passe de uma dimensão paralela, uma vez que muitos vivem em dimensões e realidades paralelas. Logo, pode se estar vivo e não viver, estar e não ser.
A morte, ela sim é uma constante, ao contrário da vida. A vida é curta, insana e passageira, diferente da morte que é seca e objetiva.
O triste da morte, é que não a aceitamos, mas ela nos aceita.
A morte vem, se achega e não pede licença, quando em nossa sociedade - em nossas famílias - ela significa algum tipo de tabu. Negamos ela a todo instante, e isso é o que a torna dificil de aceitar.
O fato, é que ela é e está. Aqui, ali, acolá...E não importam as nossas vaidades, ela se aproxima quando estamos menos atentos.


Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

(im) Previsões

Gosto do imprevisível.
É facinante quando as coisas acontecem e não estamos esperando.
Sempre tive (e ainda tenho) o hábito de manter as coisas sob controle. É também muito cômodo além das coisas, ter as pessoas sobre o nosso controle. É bom, eu reconheço.
Mas muito melhor, é quando as coisas fogem do controle, e tomam outros rumos. Naturalmente, quando as coisas fogem do planejado, que o conflito se torne presente... mas até o conflito pode ser muito positivo, quando aprendemos com ele.

Mudar, ser diferente, aprender diferente.
É profundamente instigante ver as coisas mudando, tomando novos rumos.

Agora, o importante é me deixar conduzir, como na dança. Mesmo que eu insista, não sou em que conduz essa dança... é preciso ouvir a música e deixar fluir.

A vida é aquilo que passa, enquanto planejamos.

Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia do professor

Sem demagogias e pedagogismos.

Feliz dia do professor!

"A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tam pouco a sociedade muda."

Paulo Freire


Mas pensem, no que é ser professor.


Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sabedoria

OS SEGREDOS DA SABEDORIA - Livro da Sabedoria

A sabedoria é mais ágil que qualquer movimento,
e, por sua pureza, tudo atravessa e penetra.
Ela é o sopro do poder de Deus,
uma emanação pura da glória do
Todo Poderoso.

Por isso, nada de impuro pode
introduzir-se nela:
ela é reflexo da luz eterna,
espelho sem mancha do poder de Deus
e imagem de sua bondade.
Sendo uma só, tudo pode;
sem nada mudar, tudo renova;
e comunicando-se às almas santas
através das gerações,
forma os amigos de Deus e os profetas.

Pois Deus ama tão somente
aquele que convive com a Sabedoria.
De fato, ela é mais bela que o sol
e supera todas as constelações.
Comparada à luz, ela é mais brilhante:
pois à luz sucede a noite,
ao passo que, contra a Sabedoria,
o mal não prevalece

Do livro da Sabedoria 7,24-30

Por MARIA,L.P.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Encontros, saudades, amenidades

Estudava naquela noite, pois sabia que tinha trabalhos para entregar e um difícil prova no dia seguinte.
Mergulhada em uma dimensão paralela, volta bruscamente à realidade com o toque do telefone. Com a surpresa, um sentimento de melancolia lhe abate, pois nesse instante se da conta do tempo que se passou deste a última vez que havia falado com a pessoa que estava no outro lado da linha.
- Oi, como como você ta?
- Oi, tudo bem e tu?
- To legal. Ta ocupada, a gente pode conversar?
Olhou para os livros e respirou fundo - claro que podemos.

Sairam, sentaram no primeiro café de uma rua qualquer. Enquanto conversavam, se deram conta das tantas vezes que tomaram cafés por aqueles bares, naquelas ruas.
Meses haviam passado, desde a última vez que haviam olhando no olho um do outro.

- Senti saudades.
- Eu também.

Conversaram amenidades, contaram novidades, recordaram insanidades.
Se deram conta de que a companhia do outro significava muito.
Que a ausência perturbaria, que a saudade machucaria e que o reencontro aliviaria.

Silêncio.

Silêncio para contemplar o momento partinhado.
Silêncio para sentir a presença do outro.
Silêncio para edificar aquela cena.

- A gente podia ficar junto, e ver o que acontece.
- Sim, podia.

Sabiam que a complexidade da relação era ainda maior que a ausência, que a saudade, que o carinho, até mesmo que o desejo. Apesar de ambos não admitirem, era improvável que qualquer tipo de relacionamento entre eles daria certo... estavam fatalmente promentidos ao caos.

- Eu gosto tanto de ti.
- Eu também, senti muito a tua falta.
- Tu ta cada vez mais linda.
Sorri - Ta tarde, eu tenho que ir...
- Eu te levo.

Seguem andando, param na frente da casa dela e se abraçam por instantes.
Aquele abraço carregava a intensidade da saudade que estava por vir.

- Eu te ligo.
- Boa noite.

Seguiram seus caminhos. Até o próximo reencontro. Até a próxima crise de saudades.


Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Mais uma vez, 20 de setembro

Há alguns dias venho rascunhando algo sobre o "20 de setembro". Talvez quem leia este texto, e não me conheça, possa pensar que eu eu seja contra o movimento e as diferentes expressões culturais tradicionalistas gaúchas. Mas devo desde já desmentir isso, pois o movimento tradicionailista por muito tempo teve importância vital para mim, e apesar de tantas interpéries do destino, mantenho algumas das minhas admirações. Sou a favor de tudo aquilo que valorize e divulgue de alguma forma a história/cultura de povos excluidos e marginalizados. Mas devido as circunstâncias, me vejo na obrigação de tecer as minhas críticas a respeito do tema... é mais forte que eu.

A realidade, é que o gaúcho este ser tão valorizado e proclamado neste século , traz em sua história conceitos preconceituosos e pejorativos em razão do termo "gaucho" (um elemento extremamente marginalizado no século XIII). Mas a história a qual nos referimos no feriado de 20 de setembro não é a dos "pobres e oprimidos gauchos sem lei", mas aos grandes proprietários de terra, escravistas que estavam sendo prejudicados economicamente.

A Revolução Farroupilha jamais foi uma guerra de farrapos. Não foi uma disputa ideológica ou de valores - não na sua essência - ela é de fundo estritamente econômico e político.

A estória de que "foi o vinte de setembro o precursor da liberdade", é muito relativa... pois nesse momento não se fala em liberdade, mas em cobrança de impostos, disputa de mercado com países vizinhos, acúmulo de terra e capital. Não existe uma comunidade, e a participação popular é basicamente ligada à agricultura ou com as armas em mãos, como "bucha de canhão".

O fato é que a memória dos gaúchos do século XXI é baseada na história dos heróis farroupilhas. Mas esta não é a nossa história. Não a minha.
A história do povo riograndense, povo este com sede de liberdade, cuja história não é contada, de cujas memórias são esquecidas e descontruídas... a estes nenhuma importância é atribuida.
Não me basta colocar um negro no desfile farroupilha vestido de lanceiro e dizer que o meu povo está represnetado. É necessários que as pessoas sejam lembradas e reconhecidas no desfile, mas sobretudo no cotidiano das entidades , nas danças, na literatura, nos jogos, na música.
É importante que a história deste povo seja contada, reconhecida e ressignificada~, não apenas exaltando personagens de uma elite que deu a vida apenas por seus interesses. Que o movimento tradicionalista seja de fato um movimento social, de cunho popular e representativo, não se atrelando e se limitando como um pequeno clubinho burguês.


Quero um movimento de entidades abertas e acolhedores, que respeitem e vejam e reconheçam a todos de forma natural, pois a sociedade não precisa de mais galpões machistas, racistas e elitistas.
Quero uma história ao alcance de todos.
Quero uma história que contemple a todos.
Quero uma história para todos.
Quero uma história.



Por MARIA,L.P.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Quarto de despejo



"Estou num quarto de despejo. E o que está num quarto de despejo ou vai para o lixo ou queima."





“Um dia houve uma inauguração de um parque infantil, próximo da favela. Todo mundo foi... conta Carolina. A certa altura, os adultos começaram a expulsar as crianças e a tomar conta das gangorras e balanços. Carolina disse para uma companheira, que morava ao lado: “Este é o tipo de animal com quem eu tenho que viver. Eu os porei no meu diário, assim jamais serão esquecidos”.


Frustrações. Trechos da vida e da obra de Carolina Maria de Jesus - Mulher, negra e favelada. (1914-1977)


Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Algumas das minhas atuais frustrações..

As eleições...

Novos rostos na Assembléia, novos rostos na câmara federal, no senada, no governo do estado e ainda um segundo turno para a presidência.

Novos rostos, mas nomes bem tradicionais.
Particularmente, de novidade não há muito.

Mas e o que sobra para nós?
Seria talvez o limbo, o lodo e a merda?

"... dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria Amada Brasil!"


Querida mãe nação, reservaste para nós um presente grego!

Que seja o que Deus quiser.
Se é que ele quer alguma coisa, ou nos abandonou ã nossa própria sorte, em razão de um tal livre arbítrio, ou uma tal democracia - que quem tem, não sabe usar.



Por MARIA, L.P.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O melhor, o bom e o suficiente

Decidi que hoje não vou esquentar a cabeça, não vou perder o sono, não vou estragar o humor, não vou deixar de comer doce.
Não hoje.

Hoje não é nenhum dia especial, não aconteceu absolutamente nada e nem vai acontecer... A temperatura está mediana, o sol se esconde por entre as nuvens, o telefone não toca, ninguém passa pelo corredor.

Nada de diferente.

Mas hoje eu não quero me aborrecer. Não vou perder o pouco que me resta de jovialidade em coisas desnecessárias.

Vou deixar acontecer.
Que a vida se deixe fluir. Que as coisas sejam naturais. Que a flor desabroche ao seu tempo, para que eu possa contemplar as suas cores... quando elas quiseres pintar os meus dias.

Até lá, que o vento sopre.

Que o vento sobre as folhas verdes no meu rosto, e que eu possa sentir o toque de um raio de sol.
Que eu sinta que a vida é algo sem explicação, podendo assim partilhar essa essência com quem quiser...

Hoje eu não vou me preocupar com o futuro. Nem com o imperialismo norte americano. Nem com o populismo, com o desemprego, com...
Ah, o desapego sim, é uma arte.
Mas eu ainda não consigo me aventurar assim.


Enquanto tento exercitar este tal desapego, vou meditar e tentar não me preocupar com tudo ao mesmo tempo.
Que cada coisa possa fluir ao seu jeito. Cada ser, cada situação, cada preocupação, cada problema, cada solução.


Que as coisas não seja com devem ser ou como eu quero.
Que as coisas sejam de acordo com o melhor, para cada um... para todos.

O melhor, o bom e o suficiente.

Por MARIA, L.P.

Orgulho farroupilha?...

Achei o texto ótimo. Ele está disponível na íntegra no IHU On Line - Notícias, de Antonio Cechin - acessado em 28 de setembro de 2010)

Orgulho farroupilha?... Porém às custas de quem?

A badalação farroupilha que já dura um mês, com festa máxima no dia 20 de setembro, exibida em desfiles quase sempre a cavalo mas também a pé, por todo o estado do Rio Grande do Sul, com divulgação diária nos grandes meios de comunicação, diretamente desde o grande acampamento farrapo levantado no parque central de Porto Alegre – verdadeira cidade de moradias e serviços de todo tipo – e de CTGs interioranos, ao som do hino farroupilha, hoje também estadual por lei ad hoc – tocado dezenas de vezes ao dia, na íntegra ou como música de fundo, não raro acompanhado com a mão sobre o peito ou com agitação de bandeiras, parece que encerrou ontem, 26 de setembro, com um fecho de ouro no grande desfile em cidade da fronteira, noticiada hoje nos jornais televisivos, mostrando fogosos ginetes, embandeirados com lábaros rio-grandenses, todos os cavalarianos caprichosamente pilchados, traje em que avultam os “tradicionais” lenços de pescoço, brancos ou vermelhos, de maragatos ou chimangos.

Em meio a toda essa unanimidade estadual chamou-nos a atenção uma notícia inusitada. Um dos jornais diários de Porto Alegre, em página interna, traz a informação que, no dia festivo maior, o próprio 20 de setembro, na capital Porto Alegre, enquanto acontecia o desfile máximo dos moradores da cidade-acampamento farroupilha que corta o parque da Redenção (nome com que foi inaugurado em homenagem aos negros que nele moravam e também pelo dia abolicionista, hoje com o nome Farroupilha), um grupo de escoteiros composto de 80 pessoas entre jovens e adultos, em vez de formarem no grande desfile comemorativo da Revolução também chamada de Guerra dos Farrapos, puxada pela brigada militar e pela polícia, tiveram a ousadia de dirigir-se à estação central do trem metropolitano, junto ao mercado público, para fazerem uma homenagem aos Lanceiros Negros.

A inusitada notícia veio seca, sem comentário de espécie alguma, o que nos causou espécie. Ué!.. 80 pessoas de um grupo de escoteiros?... Da Restinga, um bairro eminentemente popular, quase um favelão? Em visita a um monumento aos Lanceiros Negros?... Moro em Porto Alegre desde o ano de ‘1937 e nunca ouvi falar em monumento aos Lanceiros Negros. O jornal deve ter-se equivocado. Certamente tudo deve ter acontecido fora daqui.

A notícia que me causou tanto embaraço só consegui sofrear durante sete dias. Fui ao centro para compras e aproveitei para ir ao mercado. De fato, lá numa das paredes arredondadas à saída do trem metropolitano, bem ao lado do grande arco central que cobre a estação, um painel de um artista local, diante do qual me demorei a contemplar durante uma meia hora a fim de procurar entender. Num grande painel, tipo azulejo: à esquerda uma cena missioneira onde avulta a cruz tradicional, as Ruínas da catedral de São Miguel, a figura de um anjo. Por baixo, desta parte do quadro letras dizendo São Miguel, que primeiro foi cidadão de Roma ou coisa parecida. Um erro crasso em relação ao arcanjo. Logo ao lado, soldados em posição de tiro, da Revolução Farroupilha; ao lado, sempre da esquerda para a direita, os tais lanceiros negros, depois a fotografia de Bento Gonçalves e não sei quê mais. O mural não me convenceu. Achei que tudo estava muito misturado e me perguntei se a mixórdia não foi aí colocada exatamente para confusão entre os próprios fatos. Mas vamos aos Lanceiros Negros, motivo do deslocamento de um grupo de escoteiros da vila mais afastada da cidade de Porto Alegre. Mais de 30 quilômetros de distância desde o centro.

Tenho aqui à minha frente o livro de Moacyr Flores, historiador e professor da PUC, com dedicatória pessoal em data de lançamento. O título: NEGROS NA REVOLUÇÃO FARROUPILHA. Como sub-título: Traição em Porongos e Farsa em Ponche Verde. Logo de cara, na Introdução, o professor de História da PUC, começa assim “Os revolucionários liberais rio-grandenses adotaram como lema “liberdade, igualdade e humanidade”. Na letra do hino, de autoria de Francisco Pinto da Fontoura, consta: “foi o vinte de setembro precursor da liberdade”. Em outra estrofe: “povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”. Como explicar a manutenção do sistema de escravidão de negros e a traição no combate de Porongos? Por que os farroupilhas não aboliram a escravidão?” (Negros na Revolução Farroupilha – Traição em Porongos e farsa em Ponche Verde – Edições EST – Porto Alegre, 2004 – E-mail: ahrs@via-rs.net – Fone: (51) 3227-0883 – Acervo das etnias Frei Rovílio Costa)

Sabemos que a Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos durou 10 anos. Estavam cansados de correrias, fugas, desentendimentos entre chefes da revolta, transportando sua capital por três ou quatro diferentes lugares: Porto Alegre, Piratini, Caçapava, Alegrete... Mandaram aviso ao poder central do país que queriam fazer as pazes e que por isso mandasse algum representante com amplos poderes. O governo federal mandou o Barão de Caxias. Os historiadores dizem até que a “paz” tão desejada por ambas as partes foi retardada por um ano porque os amotinados farroupilhas não sabiam o que fazer com os negros. Tinham mandado seus escravos para a frente de batalha com a promessa de libertação depois que terminasse o levante entre fazendeiros de lá e de cá. Não sustentaram a promessa. Mancomunados com o poder federal, acabaram com a degola de todos os negros combatentes a fim de que o Rio Grande do Sul, em especial os comandantes da Guerra dos Farrapos, junto com todo o Brasil, continuassem com a escravidão até o ano de 1888. O Brasil como sabemos, foi a última nação do mundo a acabar com a escravidão africana.


(...)

Heróis, os Farroupilhas, ou vilões? Os autênticos heróis a comemorar, não deveriam ser os Negros Lanceiros que lutaram por liberdade para si e também para todos os negros do Brasil que não agüentariam ver os negros do Rio Grande do Sul em liberdade enquanto eles na escravidão.


(grifo meu: então, sirvam às façanhas de quem?! Percussor de qual liberdade?? De que História estamos falando?)

Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quanta mudança alcança o nosso ser?

Como é possível saber o que nos espera?
Como é possivel saber o que está reservado para nós?
Como é possivel saber o que há além dessa realidade em que vivemos?

Não é possível.

Não cabe a nós.

Como é possivel saber o caminho a seguir?
Como é possivel saber de fato se somos nós quem escolhemos os nossos caminhos?

Não seria talvez o caminho que nos escolhe?


Por MARIA, L.P.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Política limpa?!?

Na verdade, eu esperava escrever sobre o 20 de setembro, mas isso fica pra depois.
Ontem, no fatídico feriado, fomos em uma turma pro rodeio, pra ver o show do César Oliveira e do Rogério Melo. De fato, o show foi ótimo, as companhias fantásticas (como sempre), sem muitas novidades.

O detalhe, foi o final do feriado. Fomos e voltamos do Centro a pé, e no retorno, estávamos a frente eu e mais três meninos. Passamos por uma placa de um infeliz candidato tucano a deputado estadual (infeliz sim!!) e derrumei uma das placas que estávam capengas. Demos risadas, e seguimos, afinal era noite e, certamente as placas seriam recolhidas para o dia seguinte. Mais atrás estava o resto do bando, entre sete e oito pessoas, mas não apenas meninos, mas dois homens, entre eles o meu irmão.

Enquanto descíamos, esperamos o bando.
Eis que estávamos parados e parou um carro atrás de nós, chamando um dos meninos.
Do carro desceram dois elementos que faziam campanha para o tal tucano infeliz, que chamaram um dos meninos, intimando ele por derrubar a placa. Ele, naturalmente não entendeu nada e ficou assustado.
Eis que o resto da turma chegou e foram ver o acontecido. Os elementos intimavam o guri, querendo agredí-lo.
Como a "adulta responsável" que sou, disse que fui eu a derrubar a placa, e pedi desculpas. Mas eles me ignoraram.
Ouviram apenas o meu irmão, que estava pilchado, com uma faca nas costas e disse que o guri tinha quatorze anos. Nós éramos responsáveis por ele, que não havia feito nada.


Eis que a parte cômica do episódio aconteceu:
"A gente tá trabalhando, por uma política limpa e vocês vem fazer bagunça"

Que p*** de política limpa é essa, tucano infeliz?
Política limpa é agredir adolescentes para mostrar que manda?
Política limpa é ignorar as atitudes de uma mulher?
Política limpa é acalmar os ânimos a baixo de violência?

De que m*** de política estamos falando???


Eu admiti o meu erro, numa boa. Mas não posso admitir que um elemento, sob a bandeira de um partido com dinheiro se provaleça frente aos jovens que estão por ai.


Se isso é política limpa, to pra ver o que é sujeira...



Fiquem atentos, pois são esses que fazem o "trabalho" dos nossos políticos!
Eu vou lembrar disso ao votar. Espero que todos façam o mesmo!




Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Um dia de sol

O que eu gosto mesmo é de dias de sol.
Dias iluminados. Com ou sem vento, calor ou frio, importa o sol.
O sol aquece os nossos corpos e ilumina a nossa alma.
A melhor hora do meu dia é quando me sento no sol. Sentar na grama, a beira do lago, no sol. Só pra ficar ali, lagarteando, pensando na vida, pensando nas coisas, pensando nos pensamentos, pensando no mundo.
Dias chuvosos me deixam triste. Talvez pelos traumas que as chuvas me trouxeram outrora, mas o sol traz a sensação de que o passado, as coisas tristes e pesadas, são levadas com o vento, e se evaporam com o sol.
Felizes os que podem sentar ao sol.
Mais felizes são os que percebem que ele brilha. Mesmo quando não estamos vendo.


Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O feriado e nós

No sete de setembro, me peguei a refletir sobre um tweet da Carol, que disse:

@riotcarolzinha "4 de julho nos EUA é dia de festa em casa e na rua... 7 de setembro no Brasil é dia de ver os militares desfilando ou dormir até doer"

Parei pra pensar nisso.
Dormi até tarde, e fui almoçar no meu irmão. Não por comemorar algo, mas para não cozinhar mesmo... fiz faxinha e coloquei minhas coisas em ordem em casa. Mas só fui me dar conta do feriado que me permitia estar em casa, quando li o tal tweet. Me bateu uma decepção meio que de cunho nacionalista.

Onde está a nossa consciência de unidade nacional? Talvez porque não reconhecemos a nossa história, como em outros lugares, que gritam aos sete ventos que são daquele país e que a sua história contrói a identidade dessa população.

E nós?

Vamos esperar o 20 de setembro, e ver o que acontece.
Será que no próximo feriado, vamos ver uma representatividade popular no desfile farroupilha, ou vamos contemplar mais uma vez uma pequena elite desfilando seus cavalos gordos na avenida?
Espero que não.

Sejamos nós. Mas é importante que sejamos alguma coisa.
Para um povo sem identidade, que não conhece a sua história, sobra pouco. Pouquíssimo!


Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Amenidades, sempre amenidades...

Chova naquele dia.
Estava frio e úmido.

Estava sonolenta e colocou o fone nos ouvidos pois não estava afim de conversar... mas a pessoa ao lado puxou assunto, amenidades.

Estava completamente sem paciência.

A pessoa ao lado insistia... e ela disse:

- É incrível como em dias chuvosos as pessoas conseguem me irritar por qualquer coisa.

E o outro respondeu:

- É incrível que mesmo o teu mau humor, mesmo a chuva, mesmo quando olho pra rua e vejo muitas pessoas atrasadas como eu, vejo os congestionamentos e os acidentes de trânsito, quando vejo pessoas com fome, pessoas sem casa e se futuro, eu ainda consigo acreditar que há concerto!

- E porque teria concerto?

- Porque a minha parte, eu estou fazendo. E o teu mau homor, permite que você faça a sua?


Por MARIA, L.P.

O diálogo, a discussão e a argumentação

Dizem que religião e política a gente não discute pra não perder o amigo. Eu não acho.


Acredito que só conseguimos entender, resolver ou concretizar algo se no colocarmos a disposição para discutir.

Mas discutir na boa. Com argumentos.

Não precisamos doutrinar o outro, impor as nossas idéias, fazer o outro aceitar ou acatar. Pelo contrário, é preciso discutir e trocar idéias.

A onda do momento, é a campanha eleitoral - que pra mim é um grande piada. As pessoas dizem que vão votar no x porque ele tem mais experiência, ou no y porque o governo do munícipio vai ser do mesmo partido, ou no w porque ele vai ganhar mesmo, ou até no ç porque é jovem ou bonitinho.

Não!! Eu quero argumentos para isso!

É importante que conheçamos as pessoas que escolhemos para nos representar, e que tenhamos confiança naquele elemento. Caso contrário, grande coisa que tu fez!
Frente ai isso, vejo a importância da comunicação.

Uma série de idéias que eu trouxe comigo por muito tempo, pude modificar ao discutir com os demais. Claro que discutir e argumentar é incômodo, porque tu tens que saber o que quer, saber pra onde ir e como chegar lá.
Mas ao se esconder em uma caixinha, nada vai ser feito, nada vai mudar, nada!

O diálogo é fundamental.

É importante que possamos expor nossas idéias, mas é fundamental escutar o outro (por mais difícil que isso seja), saber o que ele pensa para confrontar com as nossas idéias.

Liberdade para se expressar e interagir!

Talvez, com as questões que a sociedade traz atualmente, discutir por discutir pode não levar a nada.
Mas é o primeiro passo.


Por MARIA, L.P.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O segredo é sorrir, fingir que não é comigo e continuar a dançar

Sabádo, 21 de agosto - IV Baile de Formatura de Fandango


Já é o quarto ano que meu irmão e eu ministramos o tal curso de danças de fandango. Já fazem quatro ano que deixei os CTGs, que abandonei o MTG, que abri mão daquela novela toda.

Uma das coisas que mais gosto de fazer na vida, é dançar. Dançar é uma das minhas paixões... e poder dançar, é uma bênção. Dou aula de dança porque gosto de dançar, porque gosto de ver as pessoas superando a si próprias, como fiz outrora. Dançar é uma das maiores expressões corporais de liberdade. A dança significa muito pra mim... e apesar disso já fazem quatro anos que não mais danço, regularmente, representando uma "entidade tradicionalista". O pior, é que me sinto muito bem com isso.

O baile de sábado foi ótimo. A comida estava ótima, a música foi maravilhosa, os meus alunos felizes, as pessoas todas alegres e aproveitando a noite. Fiz o mesmo: me acabeeei dançando. Fazia tempo que eu não dançava assim!


Mas com o encerramento desse curso, pude refletir uma série de coisas, e uma das mais importantes é a elitização e o monopólio dos participantes do dito Movimento Tradicionalista. Nosso baile foi ótimo, sem dúvidas, mas por mérito daqueles que lá estavam, e não por hatear uma bandeira qualquer.
Os cozinheiros, são aqueles que sempre o fazem, na Igreja.
Os músicos, os mesmos do ano passado (ótimos, diga-se de passagem).
O jornal, que não quis divulgar nem o curso, muito menos o baile.
Os professores, dois irmãos negros sem selo de porcaria alguma.
As pichas, mais imporvisadas imposível, pois tudo o que poderia dar errado deu: costura mal feita, quebra no prazo de entrega...
O povo, que não entende nada dessa "cultura gaúcha", se divertiu sem nenhum desrespeito à bandeira.

Enfim, as possibilidades de dar errado, foram inúmeras. Mas não deu.
E alguns "instrutores" por assim dizer, não nos levam a sério.
Porque somos negros? Porque somos jovens? Porque não temos Cfor? Porque não temos ISO? Ou porque fazemos aquilo que gostamos e não estamos nem ai pra esse monte de bobagem.

Sabemos que a nossa "cultura" não passa de uma invensão.
Estamos todos cansados de saber que os príncipios de um movimento não são representativos. O MTG, através dos CTGs, das patronagens, das prendas e mesmo dos próprios grupos de dança jamais me representou. Nunca fui respeitada como tal. Já transitei em alguns espaços e posso dizer que não me serviu de nada... só arrancou o meu dinheiro e a minha dignidade.

Dar valor a História, é outra coisa. Mas idolatrar um conto da carochinha, é outro.
Abandonei o tradicionalismo, porque ele me fazia mal. Ainda faz, de alguma forma.
Mantenho alguns dos poucos amigos que desse espaço me sobrou.
Mas tem um monte de gente que nesse meio (notem: muuuita gente) que não suporta a mim e ao meu irmão. Não fiz nada, além de ser quem sou... mas se não querem gostar de mim, tenha um motivo: que que todos se explodam!! Que vá tudo pelos ares!


No primeiro dia de aula, deixei bem claro para a turma, que não me interessava doutrinar ninguém, formar dançarinos ou associar todos em um CTG qualquer. Meu objetivo era ensino apenas a cada um a gostar da música, e partindo dai dar seus primeiros passos... o resto cabe a cada um.
Fiz minha parte: apresentei o que há de melhor na música gaúcha.
Ensinei aquilo que sei, em relação à dança.
Pedi para que respeitassem, afinal existem um Movimento Tradicionalista que, gostando eu ou não, influencia a elite tradicionalista do estado.
Apresentei a pilcha, mostrei variações e a importância dela na nossa sociedade.

Não precisam gostar de mim... mas ideologias furadas, sem fundamento, cultura inventada e o respeito a uma elite conservadora. Sinto muito, nisso eu não posso ajudar.


O meu segredo é sorrir, fingir que não é comigo e continuar a dançar.

Por MARIA,L.P.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Poemas...

Os Poemas - Mário Quintana

"Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti ... "


Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A flauta e o vento

A flauta e o vento – Historinha Zen


- Onde vai o senhor?
- Vou onde toca o vento.
- E quando não há vento?
Tirando sua flautinha do bolso,o mestre respondeu:
- Então eu faço o vento.
E saiu tocando a flauta.



Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Oportunidades

Agradeço pelas oportunidades.
As oportunidades que aparecem nas nossas vidas são decisivas.

Cabe a cada um de nós saber o que fazer com elas.

E nunca, jamais uma oportunidade aparece duas vezes. Ou abraços com força, ou ela voa, como uma folha ao vento...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

As coisas nas quais eu realmente acredito

"Eu te disse, quando a gente começar a cantar "quem é que vai?" tu vai chorar."


Foi o que eu disse a um dosm meninos que serviu junto comigo no fim de semana. Aconteceu o 9ºOnda lá da paróquia, e muitas coisas boas e ruins ocorreram, como de costume. De fato, cada Onda é um Onda. Nunca é igual, nem parecido. Vi muita gente chorar, chorar mesmo, de soluçar... uma vez disseram pra nós que isso não precisava a contecer, mas quando acontece, temos certeza que de alguma forma mexemos com o coração alheio.

Não há nada mais impressionante do que ouvir um "eu te amo" entre lágrimas, da boca de um amigo.
Sobretudo, quando tu acompanhou todo o crescimento deste teu amigo. Tu viu ele brincar, crescer e se ternar "gente grande"... Ai tu vê as coisas que realmente valem a pena.

Vale a pena servir.
Servir por fé, servir por amor, servir por acreditar.
Eu tenho fé, mas tenho dúvidas.
Eu tenho amor, mas não tenho humildade suficiente.
Eu acredito, e isso sim é inteiro!
Acredito que o grupo de jovens, que se une em nome da fé, e cresce pelo amor faça a diferença na vida das pessoas.
Acredito que quando tu ouve alguém, tu alivia o coração dela.
Acredito que quando tu te mostra disponível, tu sempre vai ser útil de alguma forma.
Acredito que o amor faz qualquer coisa. E foi o que o Maninho disse, em outras palavras, quando disse porque ainda está no Onda. E esse é a minha maior motivação... ver no olho dos que amo que todo o sofrimento vale a pena, porque nunca estaremos sozinhos quando lutamos por aquilo que é certo.
E não há nada mais certo que o amor.

Doze anos da minha vida dedico ao amor.
Amor ao Onda, aos meus amigos, a Deus.
Amor, mas sobretudo fé. Fé no Onda, fé nos amigos, fé em Deus... fé na existência.

Acretido na vida e nas pessoas.
Quando sonho em mudar o mundo e as realidades, esse é o meu modo.
O amor. Por que a vida, a fé e Deus não são nada, que não seja amor.



Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Quisera...

Quisera poder escrever muitos textos interessantes.
Quisera ter muitas coisas interessantes a contar.
Quisera poder contar a todos que meus desejos e anseios de tornaram realidade.
Quisera eu poder realizar os desejos e anseios dos outros.
Quisera ter somente boas idéias e bons sentimentos.
Quisera saber lidar com todas as idéias e sentimentos que me brotam à mente.
Quisera eu mudar o mundo e as pessoas.
Quisera mudar e transformar a mim mesma.
Quisera... quisera eu tantas coisas...
Quisera eu fazer ao menos o que me cabe.
Quisera saber realmente o que cabe a mim.
Quisera eu saber que sou.


Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Dia do amigo?

Terça feira, 20 de julho - Dia do amigo.

Ano passado nessa mesmo mesma época, andava meio em conflitos.
No curso do Onda, relutei, mas fui convidada a falar sobre amizade, e não me senti a vontade pra isso. De qualquer forma, fiz minha palestra e encerrei com essa música... não vejo ela como uma crítica à amizade, mas mais um desabafo: falta de contato, falta de vontade, falta das pessoas. Falta. Por isso essa música.
Ao amigos, feliz dia dos amigos.

Meus bons amigos, Barão Vermelho


"Meus bons amigos, onde estão?
Notícias de todos quero saber
Cada um fez sua vida
De forma diferente
Às vezes me pergunto
Malditos ou inocentes?

Nossos sonhos, realidades
Todas as vertigens, crueldades
Sobre nossos ombros
Aprendemos a carregar
Toda a vontade que faz vingar
No bem que fez prá mim
Assim, assim
Me fez feliz, assim...

O amor sem fim
Não esconde o medo
De ser completo
E imperfeito..."



Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A chuva, o frio, a vida.

Hoje amanheceu menos frio que na semana que passou, mas a chuva insiste em permanecer.
Dias chuvosos me deixam profundamente desanimada.
Há um tempo atrás, eu gostava dos dias chuvosos. Chegava em casa depois da aula, tomava um banho quente e ficava embernando o resto do dia... eu achava a vida ruim, que ironia.
Depois de alguns episódios que a vida insistiu em me fazer protagonizar, passei a ter medo das chuvas, a perder o sono quando tem temporal, a ligar para casa pra ver se está tudo bem.
Dias de chuva me fazem pensar, geralmente naquilo que não quero... nas coisas tristes e preocupantes que uma tarde ensolarada é capaz de iludir.
Sim, a chuva.
Quando eu cantarolava com meus pequeninos alunos nas manhãs chuvosas, eu tentava iluminar o coração daqueles anjos, que muitas vezes já tinham visto coisas muito piores que eu, a adulta responsável, havia visto nas chuvas. E se fizesse como meu irmão e eu fazíamos quando éramos crianças: quando batia o medo da chuva, desenhávamos um sol, amarelo e grande para colar na porta, e tentar se convencer que está tudo bem, mesmo sabendo que não está.
É triste olhar para a chuva com a mente cheia de preocupações. Mas é ainda mais triste olhar ela com o coração cheio de ilusões. E deste mal, eu estou me libertando.

Ah, a chuva, o frio... São fenômenos que têm influência direta no nosso humor, na nossa rotina, nas nossas vidas. Mas são tantas as coisas que de fato têm influência nas nossas vidas.
Procuro a cada dia que passa permitir que cada vez menos coisas influenciem na minha vida. Que tenha influência somente àquilo que realmente importa, e mais nada. Se bem, que nem sempre sabemos o que realmente importa, o que deveria importar.

O frio, outra coisa que me abala de verdade. Apesar de gostar do inverno, sofro muito com o frio. Me entristece isso, pelo fato de que tenho roupas, calçados e uma cama quente... e continuo a me queixar do frio.

É, a vida. Lidar com as intempéries do tempo são coisas cotidianas, amenas, pouco importantes, ao menos é o que elas parecem. O fato é que a vida é como um dia frio e chuvoso... mas cabe a criança que há em nós desenhar o mais belo sol e colar na porta de entrada: não para imaginar a beleza onde não tem, mas para lembrar que atrás das nuvens carregadas, mora o sol. E ele sempre estará lá, mesmo que nos esqueçamos dele.

E assim é a vida.

Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dossiê 1968

Essa é uma breve adaptação da resenha que escrevi sobre um artigo, Dossiê 1968, da revista História Viva, para a aula de Temas de História Contemporânea.


"O artigo da Revista História Viva, Dossiê 1968 nos traz discussões bastante interessantes, sobretudo partindo das manchetes: A imaginação no poder!

(...)

O ano de 1968 foi um ano explosivo, onde manifestações estudantis ocorreram em vários países, de forma alinhada ou isolada, pode-se afirmar que foi um ano que deixou sua marca na história. Com a ebulição da Guerra Fria com a invasão norte-americana do Vietnã, na Índia, Inglaterra, Brasil, Tchecoslováquia, França, Alemanha, Espanha, Itália,, Polônia e Estados Unidos, registram movimentos jovens de respostam a iniciativa capitalista.

Longe de ser o ano romântico e poético que alguns autores trazem, 1968 foi sim um ano de crescentes ideologias e utopias juvenis, mas foi também um ano violento, de crises e de guerras. O crescimento dos aparatos midiáticos teve sua profunda influência no contexto social do “ano das revoluções.

Nos países capitalistas, o grande medo era o socialismo e a sua influência sobre os estudantes. Contudo, tanto os países capitalistas, quanto nos socialistas o grande pânico era uma possível fusão, unindo as lutas estudantis e operárias.

(...)

“ Diante do embate entre tradição e renovação, quase ninguém percebeu que a geração baby-boom levaria a melhor nos planos social, cultural e político [...] em todos os lugares os estudantes expressavam um profundo mal-estar existencial, que se materializava em uma crítica viva dos valores de suas respectivas sociedades.” (RHV, p. 36), e em razão desta série de movimentos, diversas mudanças ocorreram, mesmo que a longo prazo, como a relação entre homens e mulheres e a relação com a sexualidade.

No Brasil, o movimento estudantil também teve papel importante de resistência, no período que antecedeu a ditadura, que se estendeu por anos no país. O episódio principal foi a morte de um estudante secundarista, assassinado pela polícia. Iniciada pelos estudantes, a manifestação contra a morte do menino, foi defendida por professores, artistas, religiosos, sindicalistas e vários segmentos da sociedade brasileira que eram contra o regime militar. Na realidade, o assassinato do estudante foi apenas o estopim da desilusão da classe média com a ditadura militar. No campo artístico, um movimento de resistência de fez muito claro, onde vários artistas cantavam contra a repressão, sendo inclusive perseguidos. Dentre os estudantes que de destacaram no movimento estudantil e na UNE (união nacional dos estudantes), alguns tiveram papel importante na “revolução”. Contudo, ainda alguns desses representantes de uma esquerda rebelde estudantil, ainda aparecem hoje como importantes no cenário político do país, contudo com tendências diferenciadas (como José Dirceu, José Serra e outros tantos revolucionários, que foram perseguidos por desejarem uma realidade diferente, e acabaram caindo no conservadorismo por eles condenado).

(...)

Destaco algumas contradições que percebi, principalmente em relação a alguns dos indivíduos que compuseram as revoluções que fizeram história em 1968. O ano que não terminou, como denomina Zuenir Ventura, foi um ano que deixou muitas marcas na sociedade, e não apenas no Brasil. Mas ainda como Zuenir Ventura intitula o livro em comemoração aos 40 anos no Maio de 68 – o que fizemos de nós? Questiono a mudança radical dos valores. Essa mudança era necessária, mas com a forma que ela se deu e, além disso, as pessoas que fizeram a “revolução”, hoje não são mais instrumentos de mudança. Acredito que as novas gerações tenham o papel de ser o novo instrumento de mudança, mas particulamente me decepciona a hipocrisia dos antigos revolucionários, que acabaram com disse Raul “sentado num trono de apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes e esperando a morte chegar”, pergunto se estes não “morreram na praia”, depois de tanto lutar, acabar cedendo àquilo que tanto condenaram, se tornando conservadores capitalistas que só pensam na sua conta bancária.

Não sei se esse é um curso natural das coisas no capitalismo, continuo intrigada palavras do Raul (nenhum grande exemplo, mas com sábias palavras em algumas de suas canções): “A solução é alugar o Brasil!”.

“Contradições a parte, a década de 1960 representa ainda hoje um exemplo inspirador de que as pessoas podem superar as velhas atitudes, idéias e estruturas e fazer um mundo melhor.” (RHV, p. 54)"


Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Fé e coisas simples

Fim de semana tivemos retiro de Remadores.
Passamos por momentos tensos, de muita pressão entre o grupo. O fato é que é sempre muito difícil lidar com pessoas.Sempre, sem exceções!

Ai me questiono, como pode alguém ser ateu? Existem coisas que simplesmente não têm explicação, somente um ser muito maior para explicar... seja ele quem for. Acho perfeitamente aceitável que alguém escolha ser sem religião, é muito mais fácil viver com a sua própria coerência que viver sobre as regras de uma igreja. E como isso é difícil, tentar viver sobre determinados preceitos... por mais que eu os ache corretos, viver sobre tais regramentos podem ser uma traíção contra o próprio ser.
Se santo, ou no mínimo, coerente com aquilo em que se acretida, é muito difícil. Demais.
Não concordar e não aceitar nenhuma religião é absolutamente fácil. Perder a fé é triste, mas viver sem ela, é como viver sem razão. É preciso ter fé, mínima que seja, no que for. Não há homem que viva sem fé.
Mas viver sem Deus... é indescritível.


Por MARIA,L.P.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Reencontro

Tudo acabou em 08 de dezembro de 2006.

Geralmente as pessoas começam suas histórias pelo começo, mas a data final neste caso foi muito importante.

No início eram 35 meninas e um guri. E tudo era festa... como nos relacionamentos amorosos, no começo as coisas são sempre bonitas. Mas a rotina e o convivio com o diferente sempre destrói as coisas.
Éramos crianças, sem exeções. Tinhamos sonhos de crianças, almejavamos um futuro tal qual as crianças. Mas nos achávamos gente grande.

Lembro bem do primeiro dia no Colégio novo. Eu me sentia muito importante, afinal, havia feito a escolha da minha vida... ao trocar de escola, optando por um ensino privado, eu sabia exatamente o que aquilo significa para mim e pra minha família: eu me comprometia financeiramente com o meu futuro, pois agora estudar passava a ser um compromisso profissional. Quando a professora Rosângela nos perguntou porque havíamos escolhido o Curso Normal, eu disse "escolhi ser professora porque acredito na educação, só ela pode mudar a sociedade" e fiz das minhas palavras o meu próposito em lá estar.

Desde o início eu sabia o espaço onde estava me metendo, que não seria fácil ser eu mesma. E não foi! Lembro ouvir de algumas colegas "eu quero ser professora por que minha mãe é professora" ou "eu adoro crianças". Jamais pensei dessa forma, sempre acreditei na educação como instrumento de mudança, e que de outra forma não poderíamos ser instrumentos da mudança.

Durante os quatro anos como "normalista", vivemos muitas coisas, experimentamos novidades, quebramos a cara inúmeras vezes, contamos verdades, contamos mentiras, contamos causos. Muitas coisas aconteceram, pessoas entraram e saíram das nossas vidas, brigamos, gritamos, choramos, brincamos, cantamos, divagamos. Momentos não faltaram, pois, afinal, quatro anos na vida de um adolescente demora uma eternidade a passar. É incrível,porque olhamos para trás com certa melancolia. Mas quanto maior a nossa inocência frente a vida, mais fácil é encará-la. Entretanto, boa parte da minha inocência de menina, corrompi durante essa fase da minha vida. Até porque nunca me senti de fato como parte da turma, como sujeito no conjunto... eu era diferente! Minhas opiniões nunca combinaram com o tôdo, eu era sempre do contra. Claro, que algumas vezes, eu me posicionava contra pelo simples prazer de ver o conflito ser gerado (faz parte... rsrsrs), mas geralmente eu não me via representada, eu não me sentia "uma delas". Isso sempre me encomodou muito, até porque os maiores conflitos estavam em mim, e não na turma.

Hoje entendo meus motivos de conflito, percebo porque eu me sentia diferente. Eu sou diferente... segui meu caminho, como todas, mas eu não queria a mesma estrada que tantas tomaram, ela não era e não é pra mim... minha estrada é outra, mesmo que eu a tenha que abrir, com as minhas mãos. As experiências que tive oportunidade de viver durante a graduação me trouxeram grandes reflexões sobre as minhas experiências normalistas e sobre a minha própria existência. Ocupar o mesmo espaço de pessoas que sei que são diferentes que eu, não vai me tornar igual ou superior à elas. Devo ocupar o meu próprio espaço, mesmo que ele não esteja dedicado a mim, ou mesmo que as pessoas nem saibam que ele existe... eu tenho o meu espaço na sociedade, o meu espaço na vida!

Não sou mais uma menina boba e inocente no auge dos seus 15 anos. Essa menina se foi, já era, cresceu. Isso acontece com todos nós, e não podemos negar isso... Não somos as mesmas pessoas que éramos, em 2003, em 2004 ou em 2006. Graças a Deus, não somos o passado. Certamente ele, de alguma forma, nos alimenta, mas não podemos depender, nos sustentar dele. Melancolia faz bem, mas só pra dar um gostinho, deixar com água na boca! Mas o tempo faz com que nos tornemos outras pessoas.


Enfim, tudo termina em uma sexta feira ensolarada, que antecedeu uma noite quente. Todas, vestidas de preto, perfumadas e maquiadas. 25 jovens e um rapaz, professores, enfim. Foi um período das nossas vidas que findou, mas outras coisas que começam imediatamente. Quando recebemos nosso título de "professoras", reccebemos a notícia do vestibular... era mais uma estrada que se abria... talvez, com diferentes curvas para cada uma de nós, mas cada uma seguiu o seu caminho.
Ao final, tudo terminou em paz... apesar de eu ter dito palavras maquiavélicas ao pé do ouvido de uma professora que eu detestava por não acreditar em mim, me arrependo de não ter feito apenas uma coisa: mostrado a bunda na cerimônia! Isso sim, seria hostórico (oooo)!!
Brincadeiras a parte, mas passei por bons bocados nessa época, e por isso não sinto falta. Nem um pouco, nem uma gota. A melancolia é bem natural, mas é outra coisa... tive momentos maravilhosos, mas não viveria nada disso novamente.

Atualmente, não estou lecionando, trabalho naquilo que gosto, mas não abandonei a educação. Sou muito feliz em meu trabalho, sei onde estou e sobretudo, sei para onde estou indo. Essas possibilidades de reencontro trazem muitas lembranças a tona, e não posso evitar pensar e reviver esses momentos.

Ainda tenho as minhas palavras do primeiro dia de aula muito frescas na mente: "escolhi ser professora porque acredito na educação, só ela pode mudar a sociedade", continuo pensando isso, e tenho isso como valor. Ser professor é uma puta responsabilidade, e é preciso muita consciência para embarcar nesse desafio.

Vou esperar o tal reencontro da turma e ver o que acontece.
Se eu voltar viva, escrevo algo sobre. Se não, talvez alguém leia esse blog e tenha as respostas dos meus conflitos. Ou não.



Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Por um canto apenas

Tarde chuvosa, aula...
Bate um desânimo de fazer qualquer coisa. Em dias assim, tenho apenas vontade de ficar em casa, no sofá, ouvindo música. Ainda mais nesse "clima de copa", me bate um desânimo ainda maior, uma descrença geral na humanidade.

Fica então hoje uma canção que gosto bastante, mesmo não sendo muito conhecida, dos Tebanos "Por um canto apenas"...


"Minha gente tem um jeito diferente
Quanto canta, quando sente,
Quando luta pelas ruas.

Ah, como é pobre a pobre gente dessa terra,
E eu aqui no pampa de um país
Vivendo a sombra de uma história que eu não fiz.

Talvez um dia galopando o baio
Nos potreiros vastos da imaginação
Possa meu canto não ser mais tão triste,
Como é triste o vento que assovia em contraponto com essa canção

Quem sabe um dia meu irmão
Quem dera meu povo aqui do sul possa de novo
Levantar a bandeira, refazer a nova história
E que o futuro possa se orgulhar de nós

Minha gente tem os campos na cidade
Tem no peito uma saudade
E os olhos firmes no chão

Ah, como é triste o pranto dessa gente
Que quando saem pelas ruas
São pisadas pelos cascos, pelas patas.


Talvez um dia galopando o baio
Nos potreiros vastos da imaginação
Possa meu canto não ser mais tão triste,
Como é triste o vento que assovia em contraponto com essa canção

Quem sabe um dia meu irmão
Quem dera meu povo aqui do sul possa de novo
Levantar a bandeira, refazer a nova história
E que o futuro possa se orgulhar de nós"



Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Dia de Santo Antônio

Em razão do dia de Santo Antônio...
Gosto bastante dessa música, e a coreografia do Ivi é ótima! Apesar de não me dedicar mais o tradicionalismo, não posso deixar de admirar o que considero de qualidade. Deixo então esse vídeo aos fiéis do santinho, e pros descrentes também, até porque vale a pena!



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Feliz dia dos Namorados, feliz dia de Santo Antônio a todos!

Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Fomos maus alunos (?)

Ontem a noite, minha turma de Teorias de Aprendizagem realizou mais um seminário de leitura de livro. Acho sempre essas atividades um porre, mas novamente me diverti um pouco... O último relato que fiz dessas atividades, foi em relação ao livro "Sobre a sombra dessa mangueira", do Paulo Freire.

O livro vítima de ontem foi "Fomos maus alunos", de Rubem Alves e Gilberto Dimesteim.

O livro é bem legal, meio "viajandão", mas é bom. Nele os autores contam suas experiências escolares catastróficas onde, afinal, eram maus alunos! Em relação a isso, achei fantástico, porque me identifiquei muito com tais caracterizações.
Os autores faziam distinção entre os bons alunos, que tiravam boas notas, prestavam atenção e se tornaram pessoas e profissionais insignificantes e os maus alunos, que eram os que não queriam nada com nada, que bagunçavam, não prestavam atenção, a turma do fundão... como eles. Certa altura do livro, eles falam que os professores os condenaram à derrota, pois eram pessoas péssimas e nunca "seriam alguém na vida". Fiquei refletindo sobre isso, na segunda leitura que fiz do livro, pois pude tirar muitas coisas pra minha prática.

Faço meu estágio com uma turma de sexta série, em uma escola pública da região: repetentes, adolescentes rebeldes e sem futuro. Cheguei com alguns desses pré-conceitos até o primeiro diálogo com um dos meus "maus alunos", que me disse:
-Tu quer ser professora mesmo? Perguntou o guri, com cara de decepção.
-Sim. Eu gosto muito do que faço, e sou professora há um tempinho, já dei aula pra crianças. Mas porquê a pergunta?
-Nada não. Mas é que tu parece legal, só isso.

Depois disso passei a ter muito cuidado com cada uma das minhas atitudes em sala de aula. Até porque eu sempre tive noção de onde estava me metendo. Quando perguntei aos meus alunos se gostavam de História, eu já sabia a resposta... mas também sabia o que fazer frente a ela. Eis ai a grande questão!
Então ontem, cheguei no estágio, dei boa tade e disse o quanto estava com saudade dos meus anjinhos... eles todos riram da minha casa e debocharam:
-Saudades, da gente?
-Anjinhos?
-Ih sora, que papo é esse...

E deixei o assunto no ar, até a hora em que entra na sala um professor qualquer, pra dar um racado. A turma estava dividida em grupos, pra realização de um trabalho de pesquisa nos livros que levei, mas o professor entrou em um momento onde eu dava uma orientação para a realização do trabalho:
-Nossa, como eles tão calmos! Diz ele surpreso.
-Não, eles são sempre assim comigo. Respondi irônicamente.

Ele deu um sorriso amarelo e saiu. Ai uma menina me disse que na aula dele todo mundo bagunçava porque não gostavam dele, por ser autoritário e estúpido com eles.
-Ta mas na minha aula vocês também bagunçam.
-É sora, mas só um pouquinho, porque a tua aula é legal.
Fiz de conta que não fiquei surpresa com aquilo e ri. Ela insistiu.
-Sério sora! Semana passada eu vim um dia só, ai teve feriado. Essa semana eu vim hoje pela primeira vez.
-Tá, mas por que isso, tu sabe que todas as aulas são importantes, tu não pode ficar sem vir à escola. Disse eu já preocupada com ela.
-Não sora, eu não vim porque eu não tava afim mesmo. Ai eu vim hoje porque a tua aula é legal, eu gosto de vir na aula da senhora. Ouvindo isso, senti a responsabilidade.
-Mas não eram vocês que não gostavam de História? Falei em tom ameno.
-É sora, só que com a senhora não é tão chato. É mais legal!

Depois desse diálogo, seguimos com a atividade. Quando voltei pra universidade, pro tal do seminário, vim pensando no que disse o Dimensteim "Afinal, o que deu errado?". Quando os autores falam nisso, eles comparam sua experiência escolar com os profissionais em que eles se tornaram. Um grande jornalista e um renomado educador. Ai lembrei do mês de abril, de 2006... fatídica data, quando a coordenadora do Curso Normal (o tal do Magistério) da escola onde estudei me "sugeriu" que me desligasse do curso enquanto era tempo, pois eu não levava jeito pra coisa. Aquilo me resgou por dentro, pois eu sempre soube que era uma aluna ruim, mas isso não dava à ela o direito de dizer que eu não servia para ser professora. Se eu era uma aluna ruim, eu era apenas o fruto de uma escola ruim, com professores tão piores que eu... a culpa não era minha. Minha atitude mais espontânea, no auge dos meus dezoito anos foi subir na mesa e dizer:
-Eu vou terminar esse curso, nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Tu não tem o direito de falar assim comigo, porque eu sou uma boa professora e sei disso, sou muito melhor que tu, e vou te provar isso no meu estágio, porque eu vou ser a melhor, e eu vou me formar e tu ainda vai te arrepender de ter me dito isso.

No dia da formatura, eu estava muito feliz, pois havia recebido a notícia de que havia passado no vestibular para História. Quando ela entregou o "canudo", me abraçou e eu disse baixinho no ouvido dela "eu não te disse, eu sou melhor que tu".

As vezes dou graças a Deus por ter sido uma má aluna. Por ainda ser assim. Faço parte do fundão, mato as aulas pras quais estou sem paciência, contruibuo quando isso me interessa, vou pro buteco quando estou afim. Estou fazendo meu trabalho de conclusão e me formo em breve na graduação. Mas não vou parar por ai... Quando eu disse que era melhor que a minha professora, eu sabia da responsabilidade das minhas palavras, apesar do ódio que eu sentia naquele momento.

A minha responsabilidade é formar maus alunos. De gente "boa" o inferno tá cheio, e o senado também! To cansada de gente politicamente correta que não faz nada de útil. Quero gente que diga o que pensa, que se expresse, que questione a ordem, seja ela qual for.
Se fomos maus alunos, tudo bem. Se fomos bons, tudo bem também. Mas o negócio é saber o que fazer com isso.
Como disse a professora Nara ontem: um médico mata o erro dele, um professor deixa os seus vivos e sequelados... os erros dos professores andam por ai. O congresso ta cheio deles.

O bom de ser mau aluno, é que temos em quem por a culpa. Mas sobretudo, sabemos o que temos de consertar!


Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Amenidades, e mais nada

Estava cansada daquilo tudo.
Clarissa não aguentava mais a pressão do mundo. Tinha a impressão de que o universo conspirava contra ela. Aquilo não era normal... seus planos sempre davam errado, as pessoas sempre estavam ausentes, até o clima era desconfortante.
Mas o sol brilhava naquela manhã de quinta feira, e Clarissa sabia o que fazer.
Colocou seus poucos pertences na mochila vermelha, vestiu sua jaqueta, as luvas e as botas de couro. Ligou a moto e partiu.
Olhou para trás pela última vez.
Ao partir, estaria se livrando de todo o seu passado, de todas as suas angústias e lamentos.
A sua frente, somente a estrada. Que venha o destino... novos caminhos virão, pois o passado ficou no retrovisor.


Por MARIA, L.P.

sábado, 29 de maio de 2010

Mais amenidades...

O Rato!
Acho que é o vídeo mais bonito, simples, puro e romântico que eu tive a oportunidade de ver.


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Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Algumas perguntas

Recebi essa reflexão quando recebi uma crítica muito carinhosa. Para pensar!

"Certo dia Ricardo levou seu filho, Pedro, de quatro anos, para um passeio pela velha estrada de chão batido que levava até um paradisíaco vale, onde poderiam estreitar seus laços de pai e filho.

Na andança, passam por um pequeno açude e pedro pergunta:
- Pai, porque o peixe não morre afogado?
- Hum... Não sei meu filho - Responde o pai coçando o queixo.
A caminhada continua e logo Pedrinho volta à perguntar:
- Pai, por que a lua fica lá no céu mudando de jeito e nunca cai aqui no chão?
- A lua não cai porque... Não sei meu filho - Responde em tom amável.
- Ah! E... Porque que o avião não é feito do mesmo material da caixa preta?
- Não sei filho.
- Pai, estou te incomodando com tantas perguntas né?
- Claro que não Pedro, se você não perguntar, como é que você vai aprender."


Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

À sombra dessa mangueira


Ontem a noite tive uma aula curiosa, de Teorias de Aprendizagem.

Um grupo teria de ministrar um seminário sobre o livro "À sombra dessa mangueira", do Paulo Freire. Entrei na sala já pensando em sair, até porque destesto o discurso vazio do povo da pedagogia, que vomita Paulo Freire aos quatro cantos e não faz droga nenhuma com o que lê.
A professora apresentou um pouco do que o grupo possivelmente diria, e uma das colegas iniciou a fala com a biografia do cara. Na realidade ela leu tudo o que tem no wikipédia sobre o Freire, e não disse absolutamente nada. Vendo isso, alguns colegas tentaram complementar, mas também não coseguiam pois não sabiam o que dizer. Ai recomeça o discurso vazio do pedagogismo... A professora, retomou a discussão lembrando de aspectos importantes que o grupo (que deveria ter lido) não sabia, como a época em que Paulo Freire esteve exilado, sua docência na Puc/SP, seu envolvimento empírico na política do Estado como secretário de educação... Ai a professora comparou Paulo Freire a Chê Guevara, e quando ela fez isso pensei "putz, agora eu vou embora", mas falou de um lado que nenhum militante fala sobre o seu "mestre", que foi a dificuldade que Freire teve em articular o empírico com o cotidiano, com a vida real. De forma alguma ela desmereceu qualquer um destes dois ícones, mas salientou a dificuldade de ambos em fazer suas teorias tornarem-se reais.
Ai chegou a parte mais interessante datal aula, onde o grupo não falava, não contribuia, pois pelo que pude observar, dois colegas leram o tal do livro, e os outros nada. Mas tenho certeza de que serão esses mesmos que não leram, que vão sair dizendo "Paulo Freire isso", "Paulo Freire aquilo" ou "segundo Paulo Freire", com seus discursos vazios e desalinhados à prática.
De qualquer forma, a professora acabou conduzindo o seminário, que entre outras colocações, salientou a educação liberdadora. Chegamos no ponto!
O que é educação libertadora? O que queremos com isso? Como chegar lá? O que é libertar-se, afinal? Discutimos durante toda a graduação uma série de ideologias, nas quais ninguém mais acredita. Então, o que estamos fazendo na universidade? Lembrei dos muitos professores que nos dizem como devemos ser, o que devemos fazer, o professor ideal, e blá, blá, blá... e continuam seguindo métodos tradicionais de ensino, continuam reproduzindo o que viram em sala de aula há 20 ou 30 anos atrás. Uma puta hipocrisia, ao meu ver. Que droga que professor critica método x ou y, e continua seguindo essa linha? E ainda reclamam que o problema da escola básica está no professor. O professor da escola básica está ali, ouvindo os caras vomitarem pedagogismos a torto e a direito e não fazerem nada além do seu gabinete. É muito fácil pensar em uma educação para transformar a sociedade, se eu não coloco o nariz pra fora do ar condicionado do meu gabinete. Assim é fácil falar da escola, uma escola que o intelectual da academia não conhece e, não está nem um pouco preocupado em conhecer. Até porque pensar cansa, e ele está muito ocupado com o empírico, em produzir conhecimento pra jogar em cima de alguém. Reprodução, reprodução e reprodução.
A tal da educação transformadora consiste em fazer o sujeito aprender a pensar e questionar. A universidade, de uma forma geral, já foi lugar de produção de conhecimento, mas agora isso é responsabilidade apenas dos PPGs, dos nossos mestres e doutores. E o pessoal da graduação só tem que reproduzir os seus mestres, pois o estudante bom é o que diz o que o seu orientador diz, e o que pensa e questiona é subversivo, rebelde, gosta de atrapalhar a aula. E depois nossos intelectuais não querem que a escola seja mais um instrumento de reprodução e alienação.


Eduação libertadora ao acance de todos. Talvez mais um sonho, uma utopia ou uma insanidade de uma acadêmica de História.
Apenas reflexões de uma estudante qualquer.


Por MARIA, L.P.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sou uma sonhadora nata...


"Tem dias que a gente se sente como quem partiu o morreu
A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu.
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda vida e carrega o destino pra lá!"

(Roda Viva - Chico Buarque)


As vezes penso que sou uma sonhadora nata.

Nasci para sonhar.

E é isso o que me mata tantas vezes, pois vivo a sonhar, planejar, imaginar como seria, mas quando chega na hora, me bate um desespero muito grande, pois enfrentar o mundo real é diferente. Planejo muito, mas quando chega a hora "h", me bate o desespero, pois sei o quendo tenho a dar, e sobretudo o tanto que esperam de mim, e o mundo não pára para que eu possa colocar tudo em seu devido lugar.
A "Roda viva" chega e carrega tudo o que vê pela frente. Assim é a vida, a gente quer fazer as coisas, mas o cotidiano, a rotina e tudo mais que nos influencia diariamente, não nos permite florecer, como gostariamos.

É ruim, dói, cansa. Muito! Mas precisamos passar por isso.
A questão é comolidar com isso tudo. Mas como uma amiga me disse ontem, precisamos aprender, ir a diante e não esquecer quem realmente somos. Ai por diante, já nem sei.


É outro capítulo.


Por MARIA, L.P.

sábado, 8 de maio de 2010

Tenacidade...

A conheci há muito tempo, numa quinta feira a noite, em um bar qualquer da cidade.

A via da todas as quintas feiras sentada naquele bar. Chegava por volta das 9h, pedia uma garrafa de vinho e duas taças. Fumava o seu cigarro, servia as taças e ficava ali... depois de uma hora, duas talvez, pedia a conta e ia embora, sozinha. Sempre que alguém perguntava se ela estava acompanhada, a resposta era a mesma... esperava por alguém.

Semanas se passavam, meses, anos talvez. Todas as quintas feiras ela ia ao mesmo bar. Repetia a mesma rotina, fumava o mesmo cigarro, servia o vinho, vestia preto, sempre.

Um dia, estava no bar com alguns amigos, mas não pude conter a curiosidade e fui até ela. Aquela mulher me intrigava profundamente. Perguntei o que fazia naquele bar, pois a via há muito tempo naquele lugar: sempre de preto, com uma garrafa de vinho e duas taças. Sozinha, jamais a vi beber sequer um gole daquele vinho.

Ela me disse o que dizia a todos: estava esperando alguém. Mas quem seria? Ela sempre esperava por alguém, pedia o vinho, mas ninguém nunca aparecia para encontrá-la. A mulher misteriosa me disse que havia recebido um bilhete, há algum tempo, de alguém que pedia para encontrá-la naquele lugar, quinta feira, as 9h. Mas no bilhete não tinha assinatura, contato, data nem nada do tipo. O bilhete continha o nome dela, marcava o encontro pedindo que esperasse o remetente com duas taças de vinho.

Achei aquilo muito engraçado, e a questionei porque voltava àquele bar, se fazia tanto tempo que havia recebido o tal bilhete, e até agora ninguém jamais havia aparecido. Ela sorriu docemente e me disse:

"Não sei quando, mas sei que ele virá!"


Retribui o sorriso e me despedi. Voltei à mesa de meus amigos e tomei a minha cerveja. Fiquei pensando nela... tomara que "ele" (seja quem ele for) um dia apareça.

Um dia, talvez.




Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Curiosidades...


" Mas existirá uma razão por que a 'obrigação' e a 'devoção' devem ser inimigas? Quem, que poder, que sujeito determinou que deve ser assim? A curiosidade é a voz do corpo fascinado com o mundo. A curiosidade quer aprender o mundo. A curiosidade jamais tem preguiça! Por amor às crianças - e ao corpo - não seria possível pensar que o nosso dever primeiro seria satisfazer a curiosidade original, curiosidade que faz com que a aprendizagem do mundo seja um prazer?"


Rubem Alves, em Fomos maus Alunos.


Amigos, se fomos maus alunos, a sorte foi a nossa!



Por MARIA, L.P.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Deu um branco na psicologia?

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Como fica a questão das raças no contexto de discriminação que o Brasil apresenta? E o papel da psicologia perante a esses desafios? Este é o tema do IHU Idéias desta quinta-feira, 6. A psicóloga Débora Bauermann e a graduanda em história, Letícia Pereira Maria ministram a palestra “Deu um branco na psicologia? Relações étnicorraciais como desafio à psicologia”. A atividade acontece na Sala Ignácio Ellacuria e Companheiros, das 17h30 às 19h.

A partir da temática de seu trabalho de conclusão de curso, Débora questiona o “silêncio” que existe nas discussões sobre discriminação entre raças. A psicóloga, que faz parte da equipe de Ação Social da Unisinos, na Área do Pluralismo Cultural e das Relações Étnicorraciais, também traz à tona o conceito de branquitude dentro da sociedade atual.
Letícia, que também compõe a equipe,no projeto “Memória Histórica e construção da identindade negra e da cidadania em afrobrasileiros em São Leopoldo”, coordenado pela Profa. MS Adevanir Aparecida Pinheiro e pelo Prof. Dr. José Ivo Follmann. A acadêmica traz para a discussão suas experiência dentro da pesquisa, principalmente sobre a visão do sujeito negro no município.



Vamos participar gurizada...
Pensar, refletir e discutir!!

Por MARIA, L.P.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Amenidades...

Naquele dia, ela pulou da cama cedo. Despertou-se ansiosa, decidida "é hoje!". Levantou-se, escolheu a melhor roupa, ajeitou o cabelo, pintou os lábios. Os olhos! Era um dia decisivo, precisava pintar os olhos, apresentar-se como uma mulher marcante.

Saiu de casa.
Andava rápido. Feliz. Afinal, havia decidido que naquela manhã diria a ele tudo o que sentia... Seus sentimentos, desejos, emoções. Diria tudo! Aquela manhã tinha tudo para ser especial.

Entrou... e, finalmente falou com ele.

"Hum... ahmm... eu... quero... três cacetinhos"
Seria possível?! Havia esperado tanto tempo, e isso era tudo o que ela era capaz de dizer a ele?

"Mais alguma coisa?"
"200g de queijo"
"Pronto. É só passar no caixa."

Decepcionada, com vontade de morrer, pois não conseguira dizer nada do que havia planejado, só as mesmas amenidades cotidianas, quando escuta ele chamar.

"Moça! As suas chaves!"

De cabeça baixa, pegou as chaves e balançou a cabeça.

"Espera. Ta tudo bem? Tu ta diferente hoje..."

"Nada não, só pintei os meus olhos hoje."

"Ficou bonito."

Sorriu e agradeceu. Pagou suas compras e se foi. Foi apenas mais uma manhã, como outra qualquer. Ela queria dizer tantas coisas, mas o mais importante, consegui... ele a notou.

Talvez outro dia, talvez na manhã seguinte.

Talvez.



Por MARIA, L.P.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O doce e o amargo, indistintamente

Sexta feira...
Uma linda manhã gelada.


Sempre penso que nasci na época errada.
Como podem certas músicas consideradas "ultrapassadas" caberem tão alinhadas no nosso cotidiano? Ao meu cotidiano. Talvez eu realmente esteja passando pela Terra no momento errado. Cheguei tarde.
Talvez isso siga como mais uma reflexão, ou uma memória descabível.

Lembro apenas que o passado nos alimenta. Não somos nada mais que frutos do passado.

Deixo hoje palavras do 'mestre' Ney Matogrosso... Acordei pensando nessa canção.

Reflexões para um novo dia.



O doce e o amargo - Secos e Molhados

"O sol que veste o dia
O dia de vermelho
O homem de preguiça
O verde de poeira
Seca os rios os sonhos
Seca o corpo a sede na indolência
Beber o suco de muitas frutas
O doce e o amargo
Indistintamente
Beber o possível
Sugar o seio
Da impossibilidade
Até que brote o sangue
Até que suja a alma
Dessa terra morta
Desse povo triste
"


Por MARIA, L.P.

terça-feira, 27 de abril de 2010

O cortiço, séc XXI




Gostaria de dividir esse texto, que recebi e achei muito interessante sobre a nossa realidade social.

O cortiço - David Coimbra, coluna em ZH


"Ao caminhar por entre as artérias do Monumento ao Holocausto, no coração de Berlim, a cada passo aumentava minha admiração pelos alemães. Ali estava um povo que não se esquivava de suas culpas. Ao contrário, as purgava em público e em voz alta.

Os mesmos passos me faziam pensar nos brasileiros. Nós aqui, ao que parece, não nos aflige culpa alguma. Do que o brasileiro se envergonha, afora a derrota na Copa de 50? Pois é. Mas nós temos do que nos envergonhar. Temos também o nosso nazismo. O nosso holocausto.
Chama-se escravidão.
O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão, mas nem ao aboli-la lavou-se de sua desonra. Agora mesmo, no Rio de Janeiro flagelado, lateja essa dor. Pois quem são esses que morrem sufocados pela terra que se desprende dos morros cariocas? Descendentes de escravos e ex-escravos expulsos do Centro quando o Rio se transformou no que hoje é.
Você leu O Cortiço, de Aluísio Azevedo? Bom livro. Não devia ser obrigatório nas escolas, devia ser tratado como romance para iniciados. O Cortiço conta a história de um imigrante português que, como se dizia então, “amasiou-se” com uma escrava para somar suas economias às dela. Juntos, os dois e seus dinheiros, melhoraram a bodega dele e investiram em quartos de aluguel. Montaram um cortiço aos moldes de tantos que havia no Rio do século 19, o mais célebre deles chamado Cabeça de Porco, de propriedade do Conde D’Eu, ilustre marido da Princesa Isabel. O que não deixa de ser irônico – entre os 4 mil moradores do cortiço do marido, havia inúmeros ex-escravos libertados pela esposa.
Essa gente não teve mais onde morar a partir do começo do século 20, quando a prefeitura do Rio botou abaixo os cortiços. O prefeito Pereira Passos, inspirado nas reformas feitas em Paris décadas antes, rasgou avenidas, abriu largos arejados, mudou a face da cidade. Os moradores dos cortiços, muitos deles, foram para a zona norte. Outros, que precisavam morar perto do Centro, onde trabalhavam para os senhores brancos e bem alimentados, esses ficaram por perto: subiram os morros do entorno, construíram casebres com as sobras das demolições protagonizadas por Pereira Passos, formaram as favelas como as conhecemos.
Essa gente pingente das favelas não foi libertada da escravidão; foi atirada à liberdade. Para eles, nunca houve planejamento, muito menos investimento. Hoje, Lula dá certa atenção a esses desgraçados. Não é o ideal, claro que não. Porque não é uma ajuda estratégica; é uma ajuda tática. Mas, ao menos, é algo. Para quem não tinha nada, talvez seja muito. Por isso, Lula foi amassado pela vaia do Maracanã, na abertura do Pan em 2007. Vaiaram-lhe os brancos e bem alimentados, os moradores da planície, que olham para o alto, para o morro, com medo.
Hoje, os brancos e bem alimentados da planície olham de novo para o morro. Aquela gente parda, aquela gente que passa os dias de bermuda e sem camisa, que mora em barracos construídos com pedaços de qualquer coisa, aquela gente teima em chamar a atenção. Às vezes roubando, às vezes matando e às vezes, como agora, morrendo. Inconvenientes, é o que são. Vivem a nos lembrar que em nós, também, pode haver culpa."



Para pensar...
Por MARIA,L.P.