domingo, 12 de julho de 2009

Semestre que acabou...


A cada semestre na universidade, acontece tantas coisas... Não apenas na nossa "vida universitária", mas em conseqüência disso... Pessoas que entram e saem das nossas vidas num piscar de olhos. Pois é, quando fico divagando durante horas madrugada a dentro com meu irmão, retorno melancólica.


Saudade do que passou, esperança no que virá!


Aprovei nas disciplinas que cursei, estou entregando as avaliações dos meus alunos, curso do Onda que ainda há de vir...


É, saudades daquele tempo que nem tudo era minha responsabilidade... Esperança naquilo que ainda farei!


Sim, saudades daqueles que fizeram o que sou... Esperança naqueles que ainda cruzaram meu caminho!


E amanhã? A Deus pertence.

Algumas vezes penso que o presente é tão monótono. Mas se um dia sentirei falta dele... Sim, é mais um dia de presente!!


... e que venha o amanhã!


Nara Leão, Diz que fui por ai


"Se alguém perguntar por mimDiz que fui por aí

Levando o violão embaixo do braço

Em qualquer esquina eu paro

Em qualquer botequim eu entro

Se houver motivo

É mais um samba que eu faço

Se quiserem saber se volto

Diga que sim

Mas só depois que a saudade se afastar de mim

Tenho um violão para me acompanhar

Tenho muitos amigos, eu sou popular

Tenho a madrugada como companheira

A saudade me dói, o meu peito me rói

Eu estou na cidade, eu estou na favela

Eu estou por aí..."



Saudades do que foi... Esperança no que virá...

E que venha o amanhã!!


Por Letícia Maria

MARIA, L.P.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Dias estupidificantes...


Para que possamos repensar nossas diversas atuações, deixo o texto que escrevi como narrativa da minha prática, no curso Como Narrar Deus nas diferentes Religiões:




"Dias estupidificantes...

Dias estupidificantes são aqueles tão corridos, que vamos ao trabalho, a faculdade, a igreja já de forma rotineira, como tudo fizesse naturalmente parte dos nossos dias, sem a menor reflexão sobre como estamos nos tornando vazios em meio um vácuo de consciência.
Me coloquei a questionar a uma série de coisas que vivo, quando a na sexta-feira, durante o curso a Deva nos falou da “chave”: a narrativa pessoal práxis é a chave para que possamos libertar de nós mesmos. Me dei conta de que é isso que eu realmente necessito.
Segundo o quase poeta Chico Buarque, em seus versos nos diz o seguinte: “Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu, a gente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu...”, partindo dessa reflexão me coloquei a pensar na dinâmica (se é que assim a posso chamar) das minhas práticas, pois há dias que em que acredito que tudo é possível, mas, em outros me sinto “como quem partiu ou morreu”.
No meu dia-a-dia, no turno da manhã trabalho em uma escola de Educação Infantil, e tenho percebido que a precariedade do sistema público de ensino não apenas me desmotiva, mas me suga e desgasta, pois não consigo fazer valer a minha prática. Dei aula na rede pública desde que iniciei meu Magistério, mas me sinto cada vez mais vazia, frente situações adversas. Às vezes sinto que a rotina aliena a nós mesmos, inutilizando a nossa práxis. Quando no trajeto até a universidade, observo inúmeras situações e passo a questionar a minha prática, principalmente até que ponto sou capaz de articulá-la com a teoria, pois tanto na escola, na universidade e nos diferentes ambientes de trabalho, tive oportunidade de aprendizados preciosos, mas colocá-los em prática, no dia-a-dia em sala de aula, é um profundo desafio.
Pela tarde, trabalho com a pesquisa no Programa GDIREC, e através dele passei a participar do Curso. Nesse ambiente, sinto que diariamente tenho a minha disposição intermináveis conhecimentos, mas não tenho espaço pra colocar um pouco disso em prática na escola, e isso me entristece ao me deparar com “profissionais” com consciência demasiadamente limitada, atuando na educação.
À noite nas aulas, faço sempre o possível para explorar os conhecimentos teóricos que possuo e venho adquirindo, principalmente com a pesquisa, mas percebo que na prática o senso crítico que a universidade propõe desenvolver fica apenas no discurso, pois o “bom” aluno não é o crítico questionador, mas o passivo reprodutor das respostas e atitudes do professor.
Nos meus finais de semana, participo da minha igreja, integrando um grupo de jovens, existente na comunidade há sete anos (eu participo do movimento há onze anos, mas participo do grupo da comunidade desde pouco antes de sua fundação). Acredito que ao evangelizar através de crianças e adolescentes é uma forma prática de inverter a realidade na qual vivemos e, principalmente poder realizar ações diferentes daquelas que observo durante todos dos dias da minha semana, acredito que o espaço do grupo de jovens seja para a subversão dos valores doentes da nossa sociedade, onde podemos semear as melhores sementes, contudo percebo a estranheza que sou vista. É triste demais perceber que nos momentos e espaços onde faço o possível para modificar as coisas ruins do cotidiano, pessoas se aproximam e insistem na reprodução das atitudes vazias de toda uma sociedade doente.
Estupidificante é olhar no outro a amargura da vida, e fingir indiferença, sabendo que é possível fazer alguma coisa. Trágico é ter um espaço propício para inverter esse descaso pelo outro e não fazer absolutamente nada. É visível o esvaziamento de valores nas pessoas, é ainda mais visível que a fé em Deus e nas pessoas não significa nada à sociedade e por isso estamos nos tornando conseqüentemente mais tristes e inertes.
Creio que seja necessário rever nossos discursos, antes que a sociedade se auto-destrua. Essas diferentes narrativas de Deus nas diversas religiões, que o curso nos propõe, podem certamente ser uma forma de repensar como tratamos o Divino, mas sobretudo como tratamos o outro. Se este pequeno texto pode consistir em uma chave para que possamos nos libertar de nós mesmos e de tudo àquilo que trazemos em nossa bagagem cultural e cognitiva, para que possamos ampliar a nossa consciência com o objetivo de olhar além. Que seja possível reavaliar a práxis e a transformar de fato no instrumento de mudança que a Escola, que Universidade, que a Igreja e que toda a sociedade estão suplicando para tornar as pessoas finalmente mais humanas e mais próximas de Deus, esteja Ele onde estiver."



Por Letícia Maria

MARIA, L.P.